quinta-feira, 7 de março de 2013

BAS JAN ADER, DIMENSÕES DO MAR DO EU-CORPO AO OUTRO-CORPO

                              BAS JAN ADER



Procura-se! O artista foi visto pela ultima vez em 1975, quando partiu para atravessar o atlântico dentro do que teria sido o menor veleiro do mundo a cruzar o oceano.

Brincadeiras a parte, Bas Jan Ader é Holandês e se aventurou no oceano Atlântico com uma viagem que segundo ele, levaria 60 a 90 dias, se ele optasse por não usar a vela. O barco foi encontrado seis meses depois na costa da Irlanda, sem Bas Jan Ader. Por isso que quando se pesquisa sobre a obra do artista nos deparamos com o seguinte dado: 1942,Winschoten, Holanda-1975, desaparecido no Oceano Atlântico



Este é mais um outro fato que enquadra aos seus trabalhos. Com essa história insólita, louca, sem final, tipo aquela historia de "bozena", você não sabe se ri, ou se chora. O mesmo riso de tristeza ou, a tristeza cômica, está presente em sua obra.


Assim se observa em seu trabalho que mais nos atraiu, o vídeo Broken Fall [geometric] (Queda interrompida [geométrica]), de 1971. Com apenas 1 minuto e 50 segundos, o vídeo silencioso de Jan Ader consegue te tocar de forma simples, e provocar um misto de emoções. Neste, ele se movimenta conforme a força do vento, como as folhas dos arbustos ao seu lado. Instantaneamente pensamos em nossa impotência frente as forças da natureza
Em uma espécie de metáfora visual, Jan Ader expõe a fragilidade humana, despertando aquele sentimento de melancolia, dúvida e solidão que acompanha a nossa existência. Então, de maneira inesperada, ele deixa-se levar de vez pelo vento. Aquele sentimento dramático que aos poucos te consumia, é rompido, e ele te faz rir. O "susto" é essencial para o vídeo, pois talvez este expresse resumidamente a forma como o artista percebia a vida: frágil e inesperada.



Em seu trabalho Nithfall 1971, é composta pela metáfora desta noite sem saída, em que "a corrente anônima do ser invade, submerge todo sujeito, pessoa ou coisa". A escuridão preenche o espaço noturno como um conteúdo; ele está pleno, mas  pleno de nada e tudo. A escuridão, como esta presença da ausência "é o evento impessoal, a-substantivo, da noite e do há".É o há "essa 'consumição' impessoal, anônima, mas inextinguível do ser, aquela que murmura no fundo do próprio nada. O há, em sua recusa de tornar uma forma pessoal, é o 'ser em geral".

O vídeo torna-se a alegoria da queda do artista na escuridão da outra noite, de onde não poderá mais sair, lugar do completamente outro mais próximo, do completamente desconhecido mais conhecido, lugar de angústias por excelência. Profundo né?

Então como diria Jan:


"Quero fazer uma peça em que vou até

os Alpes e converso com uma montanha.

A montanha falará de coisas que são

necessárias e sempre verdadeiras, e

falarei de coisas que são verdadeiras às

vezes,acidentalmente."



Thaís Vallenci, Igor Zanon e Bruna Cristina

Bibliografia:

http://www.anpap.org.br/anais/2012/pdf/simposio7/ricardo_mari.pdf



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